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charleyzheng:

Headed up the mountain

blueleviathan: Você ainda está vivo?

Até onde sei, sim. hahaha

Eu queria ser um paradoxo,
viver e estar vivo,
me enrolar num mar de mim
e acabar em meu começo.

Andar pelo meu reino
sem fazer sentido
como se nada fosse assim
e viver sendo meu tropeço.

Só aquela música
que não tem nada da minha pessoa
parece me entender e fazer esquecer
que as coisas estão ruins de novo.

Dançando Só, J.C. Amadeus

nessa cidade
nessa idade
tudo parece tão urgente
tão necessário
tão rápido
tão banal
e parece que eu não tenho vivido
sou um mero espectador
de uma peça sem sentido
que não sei por que a tenho assistido
tudo tão forte
tudo tão fraco
tão rico
tão débil
tão silencioso
como o ideal d’O Uivo
como o grito que se cala dentro
como a dor que se remói
como tudo que está e nada está
como aquilo que se lê e não se entende
como aquilo que não rima
como uma volta dos mortos
dessa tal sociedade de poetas
que ninguém sabe se faz ou não parte
ou se é realmente poeta
ou se é realmente alguém
talvez até seja, mas nunca deixará
de ser um “ninguém”
não vai bastar ser brilhante
não vai bastar saber pensar
tantos morrem com seus rascunhos
escondidos em mochilas e gavetas
e as poesias de gerações fodidas
se perdem pra sempre
a voz de Allen que me toma
entende o que eu sinto
sente o que eu vivo
viveu meu destino
destino esse que pode ser mudado
porque tudo é oportunidade
porque tudo é possibilidade
repetindo, não faz sentido
não precisa fazer sentido
precisa “ser”
porque “ser” é o que somos
porque “ser” é o que estamos e vivemos
não importa o que somos ou quem somos
não importa se em um show você está na primeira fila
com lágrimas e esqueiros
e talvez um sonho, uma imaginação
no final, você só é
no final, apenas somos

somos a liberdade urgente
somos a falta de liberdade
somos as amarras
somos a ética
somos a falta de ética
somos os cigarros mentolados
de noites vagabundas
somos a bebida largada na rua
somos os perdidos
somos os demônios
os monstros
somos os santos
somos a utopia, o romantismo
a ideia
a concretização
imaginada, pensada, criada
ou destruída, despedaçada, fodida
com perdão das palavras
somos fodidos
somos os perdidos
somos os malditos desajustados
não cometemos nenhum erro
além de sermos nós mesmos
e ser é o erro
ser é o acerto
pra ser, não há sentido,
repito, não há caralhos de sentido algum
nem a merda de uma direção
ou certeza
os espaços
as linhas
as curtas frases
a construção
não é poesia
não há merda de beleza literária
é só um grito
um romance interno
que só é imaginado
e pra ser romance
e por ser romance
nunca verá a luz do acontecer da verdade.

Liberdade Romântica, J.C. Amadeus

Para Allen, que do além-mundo, me inspirou a gritar meu uivo.

Anônimo: Bom dia Leo, Saudades de ti

Olá, como vai?

Despedida

"Procure entrar em si mesmo. Investigue o motivo que o manda escrever; examine se estende suas raízes pelos recantos mais profundos de sua alma; confesse a si mesmo: morreria, se lhe fosse vedado escrever? Isto acima de tudo: pergunte a si mesmo na hora mais tranquila de sua noite:"Sou mesmo forçado a escrever?" Escave dentro de si uma resposta profunda. Se for afirmativa, se puder contestar àquela pergunta severa por um forte e simples "sou", então construa a sua vida de acordo com esta necessidade.

(…)

Eu não sou bom com despedidas, nunca fui. Pra ser sincero, não acho que alguém seja. É um pouco óbvio, mas vou dizer com todas as palavras: isso é uma despedida. Um adeus de João. Contador de mentiras e “poeta suicida”. Entre aspas pois, apesar de escrever poemas, nunca fui poeta. Suicida? Não sei se me matei. Se João está morto ou não, só o tempo dirá. Espero. Já ouvi muitas vezes que quando uma coisa se acaba é porque chegou a hora de completar seu ciclo. Nunca havia entendido isso até que percebi que não havia mais poema, não havia mais história, não havia mais personagem para ser interpretado. Percebi que esse ciclo havia chegado ao fim. Assim como acontece com muitos outros. E não há motivos para estar triste. Finalmente isso se finaliza e me sinto orgulhoso disso. Não existe mais o escritor. As palavras foram uma saída para que pudesse deixar que os sentimentos seguissem seu fluxo e atingissem seu objetivo: morrer nas mãos do Universo. Demorei tempo demais para perceber que já não era o mesmo. Apenas não faz sentido continuar com isso. João se foi e deu lugar a um outro ser ainda indecifrado. Gostaria de despedir-me com um poema de meu autor favorito, Carlos Drummond. Mas esse trecho de uma carta escrita por Rilke pareceu mais apropriado. É meu questionamento de toda vez em que pego um lápis e esse tal caderno azul. Ou de quando me sento na frente do computador com a tela em branco e o ponteiro aguardando palavras. E não sinto que eu seja mais forçado a escrever para me expressar. E mesmo escrevendo escondido atrás de um alter-ego, deixei de ser sincero comigo mesmo. Decidi ser meu próprio ouvinte. Nas palavras de alguém especial, ” meu melhor psicólogo sou eu, se puder e tentar me compreender.”

Com isto, finalizo. Se esse adeus será para sempre? Ninguém sabe. Por ora, me despeço.

Com todo o amor e felicidade que nunca expressei,
João Carlos Amadeus.

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